Fertilidade - Cascavel é referência em técnicas de concepção
 
 O Município se prepara para, em breve, utilizar a técnica de bebês de proveta
 
 Josiane Lang
 
 Todos os casais sonham em ter filhos e constituir família, mas, para muitos, esta luta se transforma em pesadelo. Quando descobrem que são inférteis ou estéreis, o mundo parece desabar. Neste caso existem duas opções: adotar uma criança ou recorrer a técnicas de concepção.
 Se a primeira alternativa está descartada, a segunda pode ser a solução. Mas aí surge uma outra pergunta: quem procurar, é preciso recorrer a grandes centros? A resposta é não. Cascavel desponta como uma das cidades mais habilitadas para o tratamento de concepção assistida.
 O Centro Médico Hospitalar Gênesis disponibiliza para casais de toda a região oeste o Centro de Reprodução Humana, inaugurado no início deste mês. No local já são realizados processamentos de sêmen e inseminação artificial, inclusive para aquelas mulheres que optarem por doadores anônimos. Além disso, os médicos que trabalham no local já obtiveram sucesso em alguns casos de fertilização in vitro, o tão conhecido bebê de proveta.
 Com uma equipe formada pelos médicos Jorge Sakai, Eduardo Galletto, Rogério Rosa e Fernando Santos, além da bióloga Luciana Paredes, e a alta tecnologia necessária para os procedimentos, o Centro de Reprodução Humana de Cascavel aparece entre os melhores e mais bem preparados do Paraná.
 No entanto, a tecnologia é apenas uma aliada ao processo de concepção assistida, que requer paciência. “Muitos casais chegam aqui ansiosos, porque querem ter um filho logo, mas o processo não acontece assim, do dia para a noite. O atendimento dos casais inférteis é iniciado nos consultórios ou clínicas de médicos habilitados em reprodução humana [ginecologistas, urologistas, andrologistas], utilizando serviços de apoios como ultrasonografia, laboratório bioquímico, sendo alguns dos procedimentos encaminhados para o Laboratório de Reprodução Humana. Depois de exporem seus problemas, o primeiro passo é tentar a concepção de maneira natural, observando apenas os ciclos férteis da mulher. Se não obtemos resultado com este tratamento, que também inclui o uso de medicamentos, passamos para a concepção assistida, propriamente dita”, explica o ginecologista e obstetra Eduardo Galletto.
 A seqüência do tratamento engloba inseminação artificial e a fertilização in vitro. Tratamentos que nem sempre são bem sucedidos. O Centro de Reprodução Humana de Cascavel já realiza os dois procedimentos, sendo o último ainda em fase experimental.
 “Hoje os casais encontram em Cascavel tudo o que precisam para ter filhos. Para nós, é uma gratificação poder ajudar nesse processo tão importante”, explica o médico.
 
 FATORES
 Causas comuns da infertilidade
 
 A infertilidade conjugal está presente em aproximadamente 15% de todos os casais em idade reprodutiva. Em 40% das vezes existe uma causa feminina, em outros 40% uma causa masculina e em 20%, o homem e a mulher estão envolvidos.
 Dentre as causas principais de esterilidade masculina estão: varicocele, falência testicular primária, infecções seminais, criptorquidia, obstruções do canal deferente e disfunção hormonal.
 Nas mulheres, a infertilidade pode ser divida em quatro fatores: ovulatório (ausência de óvulos, disfunção e anormalidades), disfunção ovariana (anormalidades no eixo hipotálamo-hipofisário), tubário (ausência ou obstrução das trompas de falópio, aderências pélvicas, endometriose, doença inflamatória pélvica), fator uterino (anomalias anatômicas, distúrbios na implantação do embrião, seqüelas de infecção ou cirurgia, pólipos e miomas.
 
 FIQUE POR DENTRO
 Riscos da concepção assistida
 
 Todo tratamento oferece riscos. No caso do tratamento de concepção assistida a realidade não poderia ser diferente. De acordo com ginecologista e especialista no setor Eduardo Galletto, o maior risco é o psicológico, ocasionado pelo desapontamento. “A concepção assistida oferece uma probabilidade de nascimento em aproximadamente 15% a 20% de cada ciclo de tratamento. Quando o casal não obtém sucesso, fica desapontado e este é um risco que se corre”, explica.
 No entanto, há poucos riscos físicos realmente associados aos tratamentos. Um deles é a anestesia, que em alguns casos precisa ser geral, e em raras situações pode causar complicações.
 Os "efeitos colaterais" mais comuns do tratamento são as gravidezes múltiplas. Elas não causam apenas sérias complicações sociais pois estão associadas também a índices mais elevados de abortos e ao nascimento de bebês com peso mais baixo. O perigo mais divulgado da concepção assistida tem sido uma condição conhecida como "síndrome da hiperestimulação ovariana". Uma dose muito elevada do medicamento pode causar estimulação excessiva dos ovários, a qual pode ser referida como dor no abdome.
 É para evitar esse risco - assim como o risco de gravidezes múltiplas - que os médicos monitoram o tratamento e seus efeitos sobre o ovário.
 
 VARIEDADE
 Diferentes métodos podem ajudar
 
 Depois de tentar todos os métodos naturais para tentar ter um bebê e ter as tentativas frustradas, a mulher pode procurar a concepção assistida, que apresenta uma variedade de opções para quem quer ter um filho.
 Entre os procedimentos disponíveis estão a indução da ovulação (com medicamentos para a fertilidade), a FIV (fertilização in vitro), a Gift (transferência intratubária de gametas), a inseminação artificial por doador, a inseminação intra-uterina com ou sem superovulação, a doação de óvulos e FIV, e a ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozóides) com FIV.
 O princípio da indução da ovulação é estimular os ovários (com medicamentos para a fertilidade) a produzir um pequeno número de óvulos, e permitir que a fertilização ocorra por relação sexual normal. As mulheres mais adequadas a esta forma de tratamento são aquelas com distúrbios hormonais e uma condição conhecida como síndrome do ovário policístico. É crucial para o sucesso que a relação sexual seja programada para coincidir com a ovulação que o tratamento conseguiu. A probabilidade média de concepção depois de um ciclo de tratamento é de 15 a 25%.
 Já a FIV é uma técnica original do "bebê de proveta", sendo provavelmente o procedimento de concepção assistida mais amplamente praticado no mundo. Em termos simples, a FIV remove vários óvulos do ovário, fertiliza-os no laboratório com o esperma do parceiro masculino, e transfere uma pequena seleção dos embriões resultantes para o útero, para implantação e gravidez.
 Estudos indicam que a expectativa de gravidez após um ciclo de tratamento é de aproximadamente 2%, e que a probabilidade de parto é ligeiramente menor.
 No entanto, os melhores resultados são adquiridos com a inseminação artificial, principalmente quando coincide com a ovulação induzida por medicamentos para a fertilidade. Os índices de sucesso nesse caso ficam entre 10% e 15% por ciclo, mas podem chegar a 50% depois de várias tentativas em um ano.
 
 
 ALERTA
 Médico não garante 100% de sucesso no tratamento
 
 Como cerca de três em cada cinco casais submetidos a um único ciclo de tratamento de concepção assistida não conseguem a gestação, é impossível não falar em fracasso. Eduardo Galletto, médico ginecologista, não garante que o tratamento seja bem sucedido já nas primeiras tentativas. Segundo ele, é preciso ter paciência. “É um tratamento relativamente rápido, porém trabalhamos com um índice de até 30% de sucesso. Por isso, muitas vezes a primeira tentativa é frustrada”, alerta o médico.
 No entanto, a concepção assistida pode oferecer índices tão bons quanto a natureza. Como as probabilidades de sucesso continuam a aumentar com cada ciclo de tratamento, 100 casais que comecem um tratamento de concepção assistida constatarão que seu número diminuirá substancialmente após alguns ciclos. Depois de quatro ciclos de tratamento esse índice "cumulativo" de gravidez pode chegar a 50% por casal, após o tratamento.
 
 IDADE
 O médico ginecologista alerta ainda para um dado que pode ter forte impacto nas estatísticas: a idade. Segundo ele, a concepção é menos provável em mulheres que tenham mais de 40 anos de idade.
 
 
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